17 julho 2017

Cassata e os 7 anos do Caldeirão


Cassata


Ontem, dia 16, o Caldeirão completou 7 anos! Para muitas culturas e filosofias, o número 7 e seus ciclos têm um significado de transformação profunda. Bem, como não tenho tanto conhecimento sobre esse assunto, resumidamente diria que a cada 7 anos mudamos de fase. Não sei se isso se aplicaria a uma entidade como um Blog de receitas. Apesar disso, tenho cá minhas observações sobre esse período.

Muita coisa mudou desde 16 de julho de 2010, dia da primeira postagem desse blog. Não havia ainda o movimento tão intenso das redes sociais para promoção das postagens. Fazíamos o trabalho de divulgação a cada visita de um blog amigo, a cada retribuição de um comentário deixado. Era como se deixássemos um cartão de visitas em cada blog com o qual interagíamos. Confesso que sinto falta desse tempo e sei que muitas das amizades que fiz nesse período também partilham desse sentimento.

Nos tempos atuais, não é incomum compartilhar uma simples foto no Instagram, essa viralizar e você ver nas estatísticas que mais de 65 mil pessoas viram essa postagem, ou que mais de 600 pessoas salvaram sua receita. Já aconteceu comigo algumas vezes. Dá uma tentação de abandonar as postagens do blog para se dedicar somente a esse veículo, não é verdade?

03 julho 2017

Bolo de milho verde


Bolo de milho verde


É muito interessante como algumas vezes minha mãe e eu fazemos um bolo. Em geral não seguimos receitas, vamos acrescentando os ingredientes - claro que não tão aleatoriamente - seguindo  proporções que a experiência adquirida de anos a fio nos permite.

Bem, estava eu nesses dias querendo fazer um bolo de milho que não ficasse com a textura desses que chamamos de bombocado. Queria um tipo "bolo de bolo", só que com milho verde, uma vez que estava com algumas espigas a mais em casa.

Pesquisei nos meus oráculos, também conhecidos como blogs "dazamigas", e não consegui encontrar o que eu queria, apesar de ter me deparado com receitas incríveis (mas esse é outro assunto...rs).

Pois aí então que resolvi fazer um bolo na mesma toada que faço com a minha mãe, só que dessa vez, sozinha. Fui pensando nos ingredientes e como usaria o meu milho verde, sem cozimento. Minha ideia foi preparar um suco com ele. Também imaginei uma farinha a mais para compor com a de trigo. Por segundos achei que o fubá seria uma opção, mas aí o bolo seria de fubá e não de milho verde, concordam? 

12 junho 2017

Bolo Red Velvet para os 20 anos da minha filha

Bolo Red Velvet


Sobre a data
Naquela época – há 20 anos – lembro-me perfeitamente de ter feito essa conta. Agora já não me recordo (devia ter anotado...) a quantidade de fraldas que troquei de minha filha. A vida acontece  e outros números passam a fazer mais sentido do que uma simples função escatológica.

Quantas vezes a levei na escola, quantas braçadas foram necessárias até que se sentisse segura nadando, quantos coques fiz no seu cabelo para as aulas de balé clássico. Esse próximo dado não é difícil de calcular, pois todos os dias perguntei “como foi hoje na escola?”

Algumas noites em vigília por febre e tempos depois até a ouvir chegar em casa de volta das baladas e festas. E por falar em festas, quantos brigadeiros enrolei para comemorar seu aniversário? Quantas vezes que me peguei olhando fotos antigas, com certo saudosismo, mas tentando adivinhar seu futuro?

Agora, 20 anos depois, lembro como se fosse nesse momento o número de dúvidas, de incertezas, de temor, de medo de falhar que passou pela minha cabeça durante o trajeto até a maternidade, poucas horas antes de ter minha filha em meus braços.

14 abril 2017

A Páscoa & o Lúpulo 100% brasileiro

Evento Baden Baden
1a. planta de lúpulo 100% brasileiro

Essa época do ano me deixa (ainda) mais reflexiva do que normalmente sou. Páscoa tem o significado de morte e ressureição e confesso ter aguardado por algum fato externo ou insight para escrever uma mensagem para meus queridos leitores.

Atualmente enxergo pelo menos dois tipos de brasileiros: o que nos tem causado extrema vergonha e o que nos dá imenso orgulho. Vou tentar me ater só ao segundo tipo.

Estive, dias atrás, a convite da Cervejaria Baden Baden, visitando a fazenda Viveiro Frutopia, na região de Campos do Jordão - SP, local onde está sendo produzido lúpulo 100% brasileiro. Para quem não sabe (e explicando rapidamente), lúpulo é uma planta tipo trepadeira característica de climas temperados, assim, comum no Hemisfério Norte. É, junto com o malte, a água e levedura, um dos ingredientes utilizados na fabricação da cerveja. Seu papel é importante na conservação do produto e no amargor característico que seu cozimento proporciona à mistura.

E por que raios estou falando disso em um suposto post de Páscoa? Porque o proprietário da fazenda, o Agrônomo Rodrigo Veraldi nos contou a história desde o início de sua ideia - desestimulada por muitos porque o lúpulo jamais se desenvolveria aqui em clima não favorável - até o sucesso de sua empreitada. Sim, não é utopia, o lúpulo brasileiro existe de fato!

Tudo começou em 2005 quando eles tentaram fazer o cultivo de várias espécies de lúpulo oriundas de sementes importadas. Apesar de todos os cuidados, nenhuma deu certo, não se adaptaram às nossas condições naturais. Então, eles pegaram o material que havia sobrado e fizeram um descarte em uma parte da fazenda.

Passado um tempo, uma das sementes "vingou" e se transformou em uma planta exuberante (está lá na fazenda para quem quiser ver - FOTO ACIMA). Como o próprio Rodrigo sabiamente falou, quem a cultivou e foi a responsável pelo sucesso foi a natureza. Uma das sementes achou ali as suas condições para a vida, contrariando as condições que a princípio seriam adversas. A Natureza achou seu caminho.