16 outubro 2019

Pão "pull apart" de maçã


Pão Pull Apart de maçã


Do tempo que ando sumida daqui, tenho tanto pra contar que nem caberia num post só. Muita coisa aconteceu nesses quase seis meses de ausência. 

A vida seguiu num ritmo doido. Teve o aniversário de 9 anos do blog que acabei comemorando só nos meus pensamentos e lembrança. Há um montão de receitas que estão numa fila de espera que a cada dia fica mais extensa e o maior acontecimento de todos, o segundo momento mais feliz da minha vida, que é tão importante que merece uma prosa só com ele. Coisa de que quando começo a pensar, choro sozinha de emoção.

Não há um só dia que não cozinhe, e hoje me dei conta que é muito difícil ter preguiça de preparar algo, seja lá o que for. Meu fogão continua produzindo a energia que impulsiona a minha vida, as portas da minha cozinha continuam sempre abertas a quem quiser entrar e minha mesa está sempre posta a quem queira trocar uma ideia, bater um papinho...

Alimento é um termo amplo, sempre digo. Uma das pessoas que mais entendiam que se satisfaz a vontade do corpo sutil através da comida de alma - Nina Horta, nossa principal cronista de gastronomia - partiu recentemente para o altíssimo, nós deixando aqui um pouco mais desalentados. Essa também merece um post especial, tamanha a minha admiração por ela.




E hoje é um dia de festa na blogosfera. Não poderia deixar de comparecer com uma receita para o World Bread Day, um evento que esse ano está na sua 14a. edição e é promovido pela Zorra, autora do blog Kotchtopf. Você encontrará várias receitas de pães  diferentes em diversos blogs de muitos países participantes. Acompanhe que é muito bacana!

Por que esse ano escolhi fazer esse pão "pull apart"? Bem, esse é um pão para puxar os pedacinhos com as mãos, não precisa o uso a faca para cortar. Achei tão simbólico porque paradoxalmente à tradução da expressão que em português seria algo como "separar", achei que era um ato, lógico, de dividir, mas de maneira que cada um tirasse o seu naco, um pedacinho para si e que esses, de certa maneira somassem um todo e que cada um usufruísse de uma parte. Espero que gostem e façam a receita. Certamente repetirei mais vezes.

Pão Pull Apart de maçã


Pão Pull Apart de maçã

Pão "pull apart" de maçã
(fôrma 28 x 12 cm ou equivalente)


Ingredientes
>pão 
3/4 xícara (chá) de leite morninho (não pode estar muito quente)
2 e 1/2 colheres (chá) de fermento biológico seco
1 ovo
2 colheres (sopa) de açúcar
50 g de manteiga derretida
3 xícaras (chá) de farinha de trigo

>recheio
40 g de manteiga amolecida (não é derretida)
1 maçã grande sem os caroços, cortada em 4 partes e fatiada na mandolina (cortador de legumes)
2/3 xícara (chá) de açúcar demerara ou mascavo
2 colheres (chá) de canela em pó

>cobertura
1 xícara (chá) de açúcar de confeiteiro
1 e 1/2  colher (sopa) de suco de limão ou leite (aproximadamente) - até dar o ponto de uma pastinha

Pão Pull Apart de maçã


Pão Pull Apart de maçã


Preparo
>pão
Em uma tigelinha misture o fermento com o leite e aguarde 10 minutos para ativar.
Coloque o ovo com o açúcar na tigela da batedeira planetária (usando a pá raquete) e bata até combinar. Sem parar de bater, junte a manteiga derretida e o leite misturado com o fermento. Adicione metade da quantidade da farinha e bata por uns 30 segundos. Troque a pá para o gancho de massa, raspe as laterais da tigela com uma espátula e bata por mais 2 minutos. Ainda batendo em velocidade média, vá adicionando o restante da farinha. Aumente a velocidade e deixe a massa batendo até virar uma bola e toda ela estiver desgrudado das laterais da tigela (isso deve acontecer em uns 10 minutos).

Nota: a sova pode ser feita à mão, enfarinhando levemente a bancada e trabalhando a massa por uns 20 minutos.

Siga o passo a passo das fotos:


Pão Pull Apart de maçã


_ faça uma bola com a massa e coloque-a em uma tigela levemente untada com óleo. Cubra com um filme plástico ou pano limpo e seco e deixe-a crescendo em lugar quente e sem vento até dobrar de volume
_ separe os ingredientes do recheio: a manteiga amolecida (temperatura ambiente ou ponto de pomada), o açúcar misturado com a canela e a maçã picada
_ enfarinhe bem a bancada e, usando um rolo, abra a massa até obter um retângulo de aproximadamente 54 x 42 cm - IMPORTANTE: a massa tem que ser aberta bem fininha 
_ pincele a manteiga por toda a superfície da massa, polvilhe com o açúcar com a canela e distribua os pedaços da maçã
_ corte a massa em 6 tiras de 7 x 54 cm (que é dividindo o menor lado do retângulo em 6 partes iguais)
_ empilhe essas tiras uma sobre a outra 
OBS.: nesse momento é importante ter alguém por perto para ajudar
_ corte essa pilha em 6 partes iguais
_ disponha esses pedaços na fôrma untada e enfarinhada (aconselho a forrar com papel manteiga para facilitar desenformar) de modo a deixar as partes do corte para cima. Pode colocar aleatoriamente mesmo
_ cubra com um pano e deixe crescer por mais meia hora. Faltando 10 minutos para finalizar esse tempo, preaqueça o forno a 180 graus Celsius
_ leve o pão para assar até a superfície ficar dourada e, ao dar uma batidinhas nele, emitir um som oco
_ retire do forno e aguarde 15 minutos para desenformar, depois deixe-o esfriando sobre uma gradinha


Pão Pull Apart de maçã

Depois de quase frio, despeje a cobertura sobre ele. Delicie-se!




24 abril 2019

Leite de coco caseiro

Leite de coco caseiro

Já faz um tempinho que, para fazer uma receita, criava várias outras e as compartilhava em postagens diferentes porque essas eram os componentes (ou ingredientes) da receita final. Ao mesmo tempo essas eram independentes, ou seja, em um mecanismo de busca, o leitor achava fácil o lemon curd sem ter que entrar em outra postagem onde ele aparecia como coadjuvante. 

Ficou confuso? Essa Torta de limão desconstruída é um exemplo do que falei. Outro é o Banana Pudding, famosa sobremesa da Magnólia Bakery em Nova Iorque. Mais um? O Sorvete de torta de maçã que usava uma receita caseira de biscoitos Grahan Crakers. Quem quiser fazer uma pesquisa no blog para mais casos como esses, mi casa es su casa, estejam à vontade.

Então, esse preparo de leite de coco caseiro vai ser um dos componentes (ou ingrediente) de duas receitas: uma doce e uma salgada, que serão postadas em breve, sequencialmente. Além disso, é uma receita independente para fugir dos industrializados, porque sai mais barato e você sabe exatamente o que está consumindo, sem aditivos ou químicos etc etc.

Aí você vai pensar "nossa, mas para que fazer esse trabalho todo se posso apenas abrir uma embalagem?". Bem, se os argumentos de saudabilidade e preço mais barato não forem suficientes, eu só poderia responder: questão de opção. 

Acompanhe os próximos capítulos preparos.


Leite de coco caseiro


Leite de coco caseiro

Leite de coco caseiro
(rendimento aproximado 1 litro)

Ingredientes
1 coco seco (não é o verde)
3 xícaras (chá) de água fervente

Preparo
Siga o passo a passo das fotos

Leite de coco caseiro


1) e 2) use um saca rolhas para fazer um furo no coco e retirar a água 
Nota: dos três "olhinhos", um é o mais mole, sendo mais fácil fazer o furo por ele. Coe a água e pode beber à vontade

3) coloque o coco em uma assadeira e leve ao forno na temperatura de 240 graus Celsius até que ele comece a estalar e quebrar. Retire do forno e verá que a casca mais grossa vai se descolar da polpa

4) usando uma faca, retire a casca fina (no caso de querer um leite branquinho)

5) lave o coco para sair algum resíduo de casca e corte em pedaços

6) coloque no liquidificador junto com a água fervente e bata por 2 a 3 minutos

7) disponha uma gaze ou pano sobre uma peneira e essa sobre uma tigela, encaixando bem. Despeje o coco batido e esprema bem para sair todo o leite

8) depois de retirado o leite, pode ser guardado em vidro esterilizado com tampa na geladeira por até 5 dias

9) espalhe o "bagaço" que sobrou do coco em uma assadeira para que ele seque. Pode dividir em saquinhos e levar ao freezer para congelar e utilizar em outras receitas.
SPOILER ALERT: dá uma farofinha de coco muito saborosa. Não perca!

Importante: se quiser um leite mais espesso, diminua a quantidade de água. Lembre-se que esse não leva amido para ficar com aquela textura do industrializado





18 abril 2019

Cassata Tiramisú



Cassata Tiramisú

Sempre que chega a Páscoa volta à minha memória muitas lembranças e sensações boas. É uma época de reflexões e renovações e talvez por isso haja em mim esse movimento de despertar para renovar ciclos, sem perder as boas coisas do passado.

Quando criança – e isso já faz bastante tempo – aguardava o domingo para abrir os ovos de Páscoa que até então acreditava terem sido entregues pelo coelhinho enquanto dormia. Naquele dia em especial, meus pais nos deixavam comer chocolate mesmo antes do tradicional almoço. Imagine como guardo isso como uma joia no meu registro de vida. Era um dia diferente dos outros, o que o tornava muito especial.

Estou certa que também criei boas recordações para minha filha, agora já adulta. Uma vez, quando criança, fizemos uma caça ao tesouro (leia-se aos ovos de Páscoa, com direito até a “cartinha do coelho”, pistas e tudo!) em um sítio de amigos e sei que foi tão memorável para todos – em especial para ela – que usou essa passagem para escrever seu personal statement para a application da Universidade. Um texto lindo, mas isso é outra história!

Almoço de Páscoa tem que ter uma sobremesa caprichada. Por isso resolvi transformar um dos meus doces favoritos, o Tiramisú, em uma versão sorvete. Para isso acrescentei sorvete de café além do de mascarpone.

Boa Páscoa a todos!


Cassata Tiramisú


Cassata Tiramisú
(para uma fôrma de bolo inglês ou equivalente)

Ingredientes
>creme base
500g (1 garrafinha) de creme de leite fresco (35% gordura) BEM GELADO
1 lata (395g) de leite condensado
>sorvete tiramisú
200g de queijo Mascarpone – tem receita >>AQUI<<
1 colher (sopa) açúcar
1 gema
1 colher (chá) de essência de baunilha
1 colher (sopa) de licor a sua escolha – opcional
>sorvete café
200g de chocolate meio amargo em barra picado
½ xícara (chá) de leite
1 colher (sopa) de café em pó solúvel
1 pitada sal
1 colher (sopa) de mel
>para o recheio
½ pacote de bolachas tipo champanhe
1 xícara (chá) de café preparado bem forte


Cassata Tiramisú

Preparo
>creme base
Usando uma batedeira elétrica, bata o creme de leite até o ponto de picos firmes (chantilly). Diminua a velocidade e adicione o leite condensado, batendo só até combinar. Deixe na geladeira.

>sorvete café
Em uma panela de fundo grosso, dissolva os ingredientes até virar uma espécie de calda. Deixe esfriar para utilizar. Junte 2/3 do creme base, misturando bem à mão. Reserve dentro da geladeira.

>sorvete mascarpone
Na batedeira elétrica, bata a gema com o açúcar e o mascarpone até obter um creme fofo. Junte a baunilha e o licor. Desligue a adicione 1/3 do creme base, misturando à mão até homogeneizar.

Para a montagem
Forre a fôrma com filme plástico (se for desenformar). Despeje metade do sorvete de mascarpone, alisando bem. Molhe cada uma das bolachas no café por vez para não desmanchar e vá dispondo sobre o creme. Coloque o restante do sorvete de mascarpone. Leve ao freezer por meia hora. Despeje o sorvete de café. Cubra com filme plástico e leve ao freezer até solidificar.

Na hora de servir, retire do freezer uns 15 minutos antes. Desenforme e, com o auxílio de uma peneira, pulverize a superfície com chocolate em pó.

Nota: pode fazer a montagem em um refratário sem desenformar.



10 abril 2019

Tableton e a volta de quem nunca foi

Tableton


A vida é mesmo cheia de coisas. Das coisas misteriosas, que são as que mais me interessam e fascinam. 

Estou há tempos - precisamente há 4 meses - tentando voltar a postar aqui no blog, espaço que, para os que (ainda) acompanham, é mais do que um mero divulgador de receitas. Pois passou o Natal, o Ano Novo, e zero inspiração para retomar. Continuo cozinhando diariamente, faço as produções das fotos, guardo-as em álbuns com receitas bem interessantes, mas esse movimento de voltar a compartilhar aqui, estava carecendo de um sinal, uma inspiração ou algo do tipo.

Nem minha apatia, nem meu desânimo com algumas questões que temos visto por aqui em terras tupiniquins, nem minha indignação foram suficientes para fazer surgir uma motivação. Porém, para quem sabe esperar e fica atento aos desígnios do destino, essa hora sempre acontece.