14 abril 2017

A Páscoa & o Lúpulo 100% brasileiro

Evento Baden Baden
1a. planta de lúpulo 100% brasileiro

Essa época do ano me deixa (ainda) mais reflexiva do que normalmente sou. Páscoa tem o significado de morte e ressureição e confesso ter aguardado por algum fato externo ou insight para escrever uma mensagem para meus queridos leitores.

Atualmente enxergo pelo menos dois tipos de brasileiros: o que nos tem causado extrema vergonha e o que nos dá imenso orgulho. Vou tentar me ater só ao segundo tipo.

Estive, dias atrás, a convite da Cervejaria Baden Baden, visitando a fazenda Viveiro Frutopia, na região de Campos do Jordão - SP, local onde está sendo produzido lúpulo 100% brasileiro. Para quem não sabe (e explicando rapidamente), lúpulo é uma planta tipo trepadeira característica de climas temperados, assim, comum no Hemisfério Norte. É, junto com o malte, a água e levedura, um dos ingredientes utilizados na fabricação da cerveja. Seu papel é importante na conservação do produto e no amargor característico que seu cozimento proporciona à mistura.

E por que raios estou falando disso em um suposto post de Páscoa? Porque o proprietário da fazenda, o Agrônomo Rodrigo Veraldi nos contou a história desde o início de sua ideia - desestimulada por muitos porque o lúpulo jamais se desenvolveria aqui em clima não favorável - até o sucesso de sua empreitada. Sim, não é utopia, o lúpulo brasileiro existe de fato!

Tudo começou em 2005 quando eles tentaram fazer o cultivo de várias espécies de lúpulo oriundas de sementes importadas. Apesar de todos os cuidados, nenhuma deu certo, não se adaptaram às nossas condições naturais. Então, eles pegaram o material que havia sobrado e fizeram um descarte em uma parte da fazenda.

Passado um tempo, uma das sementes "vingou" e se transformou em uma planta exuberante (está lá na fazenda para quem quiser ver - FOTO ACIMA). Como o próprio Rodrigo sabiamente falou, quem a cultivou e foi a responsável pelo sucesso foi a natureza. Uma das sementes achou ali as suas condições para a vida, contrariando as condições que a princípio seriam adversas. A Natureza achou seu caminho.

Fiquei meditando sobre as lições contidas nessa história simples. A primeira que me ocorreu é que nada que parece, é realmente impossível. Se não ocorre quando imaginamos que tenha que acontecer, frutificará no momento que tiver que ser. Tudo tem seu tempo e sua hora, ou o que sempre ouvimos, "o que tiver que ser, será", independentemente da nossa intervenção.

A segunda lição para mim é essa característica do brasileiro, que apesar dos pesares, é um povo criativo, ousado e que não se convence facilmente do que dizem ser impossível. São os filhos naturais do Brasil que nos causam orgulho e admiração. 

A terceira lição é que existe uma força maior a todos nós, de renovação, da aparente morte e sua consequente ressureição. Ainda estabelecendo um paralelo entre essa história e o momento atual no Brasil, estamos tendo que ceifar as mudas podres, o solo contaminado por material impróprio para boas mudas. E no momento certo, as boas sementes surgirão para tomar o lugar de vez das "ervas daninhas". Sei que sou uma otimista incorrigível, mas sou brasileira nata e não ouso me dobrar a algumas práticas escussas que denigrem o meu país. Um dia limparemos nossos campos de vez. Reaja e também faça a sua parte se você estiver entre os bons.

E uma coisa também muito bacana, uma lição extra por assim dizer, é como as parcerias propiciam a realização de sonhos. Em 2014 a Baden Baden passou a patrocinar a fazenda para a fabricação desse lúpulo que possivelmente se chamará Mantiqueira, homenageando o local onde nasceu. O resultado disso foi a criação da cerveja Märzen, feita com lúpulo 100% brasileiro colhido em março (märzen, "de março", em alemão). Provei, aprovei e recomendo. 

E seguem algumas fotos do evento super bacana que ainda contou a reinauguração do tour pela Cervejaria Baden Baden. Esse está disponível para todos que estiverem em Campos do Jordão e quiserem fazer um passeio bem legal. 

Feliz Páscoa a todos!

Evento Baden Baden

Fazenda Viveiro Frutopia e o Evento Baden Baden


Evento Baden Baden

Plantação e colheita do lúpulo 100% brasileiro


Evento Baden Baden

Cervejaria Baden Baden (Campos do Jordão) e a cerveja Märzen feita com lúpulo 100% brasileiro


Evento Baden Baden

Tour pela Cervejaria Baden Baden


OBS.: Esse NÃO é um post patrocinado



23 março 2017

Nasce a "Lojinha do Caldeirão"

Lojinha do Caldeirão


Quando comecei a escrever o Receitas do Caldeirão - e já se passaram quase 7 anos desde aquele julho de 2010 - jamais poderia ter imaginado o tanto de coisas boas que ele me proporcionaria.

Conheci pessoas, muitas, e queridas, que passaram a ocupar parte importante da minha vida. Tenho recebido muito carinho dos meus leitores e, mesmo com minhas idas e vindas, esses têm se mantido fiéis e atenciosos principalmente quando me escrevem perguntando se retornarei a postar.

Pois hoje é um daqueles dias que posso considerar como mais uma porta que esse blog me abre. Criei coragem e, depois de muito ensaiar, resolvi levar os quitutes do meu fogão para além dos domínios da minha cozinha.

Então, finalmente, depois de muito teste e estudo, a "Lojinha do Caldeirão" abre suas portas virtuais. O nome é um desdobramento aqui do blog e confesso não achei nenhum outro casasse tão bem com esse fato.

A proposta da Lojinha é produzir alimento de verdade, de modo artesanal, com produtos selecionados e cuidado no preparo, dentro dos princípios da Slow Food (movimento criado em 1986 por Carlo Petrini e que resumidamente baseia-se na valorização do produto, do produtor e do meio ambiente).

Na barra de ferramentas ao lado direito está o acesso permanente à ela. Estão todos convidados a conhecer essa minha nova empreitada. Aqui entre nós, e já que estamos entre amigos, estou com certo friozinho na barriga, confesso. Mas, afinal, li por aí que "se os teus sonhos não te assustam, então é porque não são grandes o suficiente".

Sejam todos bem vindos!

07 março 2017

Alfajor (ou Casadinho)


Alfajor


Qual de nós, pessoas antenadas, seguidoras de perfis e páginas nas redes sociais, que acompanham canais de vídeo receitas, com nossos ultra modernos arquivamentos virtuais, não tem um caderninho de receitas daqueles bem surradinhos, gastos pelo tempo e engordurados de manteiga lá esquecidos no fundo da gaveta? Que atire o primeiro fouet quem não tiver!

Pois bem, já falei algumas vezes que tenho o meu, que por sua vez tem algumas receitas do "oráculo", também conhecido por, caderno da minha mãe (conto a história dele AQUI). Aí, um dia desses, no final do ano passado, por conta de uns "casadinhos" que minha irmã havia comprado, minha mãe comentou que queria achar uma receita para fazer ela mesma. Lembrei que ela havia me passado uma receita desses biscoitos bem antiga - a qual nunca havia feito e nem ela - e a coisa ficou por isso mesmo.

17 fevereiro 2017

Pão de fôrma para lanche (semi integral)

Pão de forma semi integral


Hoje o assunto é extenso (e polêmico). Peço que compreendam meu ponto de vista e entendam que não estou fazendo julgamentos. Só queria expor uma questão que foi levantada recentemente na internet pela pessoa que é a fonte da receita que trago hoje.

Rita Lobo é para mim uma inspiração constante. Considero seu programa no canal GNT, o "Cozinha Prática" simplesmente impecável. Receitas com ingredientes simples, acessíveis e rotineiros nas nossas quitandas e mercados e que com seu toque são transformados em refeições super caprichadas. Comida de verdade, aquela que alimenta corpo e alma. Pois foi um post no Twitter endereçado a ela que surgiu uma questão sobre essa onda de "medicalização da alimentação". 

Quando era criança, nos anos 1960, não haviam tantos alimentos ultraprocessados e nem cadeias de fast food em profusão. Após esse período e com a adesão em massa da tal "praticidade" na cozinha, muitas famílias se desconectaram da comida totalmente feita em casa. Isso criou gerações com problemas de sobrepeso e doenças decorrentes (aliado a fatores como sedentarismo e outros). Pois era mesmo de se esperar uma reação e retomada do estilo de cozinhar dos nossos antepassados.