01 junho 2015

Salada de lentilha germinada e cultura de paz

Salada de lentilha germinada


"Se o adversário é superior a ti, então pra que lutar?
Se o adversário é inferior a ti, então pra que lutar?
Se o adversário é igual a ti compreenderá o que tu compreendes, então não haverá luta.
Honra não é orgulho, é consciência real do que se possui"

Durante o tempo que pratiquei Tai-Chi-Chuan, lá pelos meados dos anos 1980, esses dizerem estavam em um cartaz na porta de entrada da escola. Nunca os esqueci de tanto que li. Essa arte marcial, o Tai-Chi, baseia-se na não violência, no não lutar. Nunca! Como princípio, se alguém avança em sua direção com o intuito de te agredir, com alguns movimentos suaves que mais parecem uma dança, você apenas esquiva-se desse, que por sua vez acaba por muitas vezes machucando-se sozinho. É um princípio que levado ao nosso cotidiano, no qual nossas lutas não são as praticadas fisicamente, poderia evitar muita coisa e, principalmente, situações no mínimo desagradáveis.

Pensei nisso esses dias. Estamos vivendo um momento que o mundo parece ter assumido uma premência por opiniões, razões, debates. Não é de todo mal, como nada seria, se não fosse em excesso. Ter opinião é uma coisa, precisar a todo custo debater com quem não está disposto, ou disponível, é outra. Debate é algo positivo, o embate, acredito que não.

Vamos ver. Imagine-se em uma fila, ou em um transporte público, em que você conseguiria ouvir a conversa de duas pessoas desconhecidas. Dependendo do tema, se essa está precisando de uma informação a qual você possui e pode, pedindo licença, interromper e dar sua contribuição, ok. Isso foi de extrema ajuda, sua interrupção foi importante. Agora, vamos supor que seja um tema mais íntimo (a criação de um filho, ou uma briga de namorados, ou algo que não lhe diga respeito). Seria oportuno você se intrometer no assunto dos outros, só porque você tem "sua opinião", ou experiência, ou sei lá o quê?

Ahhh, mas eu sou profissional - sou arquiteta - e ouvi essas pessoas falando em reforma da casa e quis "ajudar" sob meu ponto de vista profissional, já que tenho experiência. Sério mesmo que você acharia esse argumento válido? Troque de lugar, você gostaria de alguém sendo invasivo na sua conversa com outros? Seja honesto, ninguém está lendo seus pensamentos. 

Fazendo uma extrapolação para esse universo das redes sociais, o que tem acontecido, simplificadamente comparando, é algo como esses exemplos. Vimos uma postagem, gostamos, podemos de alguma forma contribuir com informação pertinente à questão? Ótimo, legal participar!

Se, no caso, é uma postagem que nota-se mais voltada para algumas pessoas de um círculo mais íntimo - e há uma discussão in progress - melhor pensar duas ou mais vezes antes de interagir. Ainda assim, se porventura a sua opinião for contribuir, bem, vamos lá, arrisque-se. Mas, note a receptividade de quem iniciou o tema. Se esse não estiver tão aberto para o que você opinou, então, hora de não insistir. Respeito pelo espaço de cada um. Lembre-se de situações na vida real (um ótimo exercício, a meu ver), onde a pessoa que está na sua frente, como pretexto de encerrar um assunto saia justa (ou de não interesse), pede licença e retira-se. No mundo virtual, essa deixa pode ser um tanto mais sutil, mas saiba identificar.

Ter razão sempre não necessariamente te faz mais feliz. Cada um tem sua opinião, experiências e vivências. O que acho bacana pode não ser para o outro. Quer um exemplo recente? A foto da marmita da filha postada por sua mãe - que por acaso é famosa e apresenta um programa de culinária saudável na TV - e que teve as piores repercussões possíveis. Foi necessário mesmo tanta chacota? Ter falado mal, ou bem, modificou o destino de quem comentou? 

Você poderia falar (com razão!) que se está nas redes sociais, está exposto a esse tipo de coisa. Concordo 178%. Mas, olhe para VOCÊ. Precisa mesmo ir lá e dar seu pitaco sarcástico, só para se mostrar uma pessoa que tem opinião pra tudo? Vai te fazer mais feliz, mais evoluído, mais bacana? Se a resposta foi SIM, ok, você tem todo o direito de exercer sua liberdade de expressão. Porém, o que se planta, se colhe - na real ou metaforicamente falando. Aí você também estará exposto como qualquer outro. Esteja preparado.

Estou retornando ao Caldeirão ainda dentro de um período de um turbilhão de emoções as quais estou vivenciando e que não consigo (ainda) colocar em palavras. Achei que esse tipo de postagem, de germinação de sementes, de comida viva, muito oportuno para essa fase.

Todos sabem o quanto sou defensora da culinária que traz alimento não só para o corpo, mas para a alma também. A salada de hoje, além disso, tem propriedades as quais farei um post em breve explicando, mas que resumidamente potencializam as qualidades dos alimentos.

O post foi longo, assumo. Resumindo, queria dizer apenas que ninguém é melhor ou pior que ninguém, somos apenas diferentes. Seja você e respeite o próximo. Viver em harmonia consigo e com os outros é criar uma cultura de paz! Estamos precisando disso, muito mais que informação.




Salada de lentilha germinada

Salada de lentilha germinada


Salada de lentilha germinada
processo retirado do Instagram do blog "Diário de Receitas sem Lactose", da amiga Monalisa Cavallaro


Ingredientes
>para germinar
1/2 xícara (chá) de lentilhas
água o suficiente para cobrir
>para a salada
suco de limão
raspas da casca de limão 
sal
azeite extra virgem
1/2 cebola roxa picada em cubinhos
1 pimentão amarelo pequeno em cubinhos
cebolinha em rodelas
nirá (alho japonês) picadinho


Salada de lentilha germinada

Preparo
>germinação
Lave bem a lentilha e retire as que não estiverem inteiras ou as danificadas. Coloque em um recipiente e cubra com água. Deixe descansar por 8 horas em temperatura ambiente (dica: pode deixar da noite para o dia).

Ao final desse período, escorra a água e deixe as lentilhas na peneira, apoiada em na tigela. Molhe essas lentilhas 3 vezes ao dia, durante 2 dias. Logo começarão aparecer os brotinhos. 

>salada
Deixe a lentilha escorrer bem. Coloque em uma saladeira e acrescente a cebola, o pimentão, a cebolinha e o nirá (opcional). Tempere com as raspas de limão, sal, azeite e suco de limão. Sirva a seguir.

Nota: os brotos ficam macios e crocantes. São servidos crús.

Importante:
1) durante a noite principalmente é aconselhável colocar uma telinha sobre a peneira para não cair alguma impureza ou insetos (se for o caso)
2) é possível deixar germinando mais um dia, porém, mexa delicadamente com as mãos as lentilhas na peneira para ver se não estão se deteriorando. Essas das fotos germinaram por 3 dias
3) a quantidade de lentilha pode variar, mas lembre-se que ao brotarem elas aumentam de volume
4) se quiser parar o processo, escorra bem e guarde em geladeira. Não aconselho a demorar mais de 1 dia para consumir.


Espero que tenham gostado. Bom apetite!

4 comentários :

  1. Sandra,

    Seja o que for que você estiver passando, saiba que Deus está com você para lhe sustentar. Confie Nele!!!! Sigo seu blog há um tempinho e admiro muito seu trabalho. Que bom que você voltou!!! Estava com saudade das suas postagens e receitas.

    Que Deus lhe abençõe muito, muito, muito....

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  2. Ótimo texto, Sandra. De fato, acho que o seu blog trata também de comida para alma. Gosto muito do seu jeito de encarar a vida e tenho certeza que logo esse turbilhão passa e você acha de novo o seu ponto de equilíbrio. Eu pensei bastante no Caldeirão nesse fim de semana. Queria parar de comer carne, já que filosoficamente acho essa prática um absurdo, e pensei nas suas receitas vegetarianas tão saborosas para me ajudar a superar esse hábito. Imagino que os germinados sejam ótimos aliados nesse tentativa.
    Boa sorte na sua jornada!

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  3. Respostas
    1. Olá Maria Conceição, pode sim, fica com um sabor mais picante e fresco.

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